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10 dicas para melhorar o gerenciamento de cores offset

Mario Piva

Bacharel em Design Gráfico pela Faculdade SATC (Criciúma/SC), 21 anos de idade e atuo há quase uma década na indústria gráfica. PhD em desmontar coisas, formas e objetos. Acredito que o caminho da felicidade é feito de aipim frito e suco de laranja (ainda vou provar isso!)

Olá Moover! Trouxe aqui alguns segredos valiosos para aprimorar o gerenciamento de cores offset na sua empresa, sem gastar quase nada! Vamos nessa? o/

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Que RGB e CMYK são sínteses de cores diferentes você já deve saber, né? Expliquei isso há um tempo atrás, nesse post aqui. 😉 Mas agora, vou aprofundar um pouco o assunto, mais precisamente, no que diz respeito ao gamut de cores CMYK. Serei bem específico, pois imagino que você já esteja imerso no universo da impressão, e entenda (mesmo superficialmente) não só o que é, mas a importância de um gerenciamento de cores eficiente.

 

1 – Utilize uma escala de cores CMYK que atenda às normas ISO 2846.

A ISO 2846, pra quem não conhece, prevê o seguinte:

A ABNT NBR ISO 2846 especifica as características de cor e transparência que precisam ser satisfeitas por cada tinta, em um conjunto de tintas coloridas de processo projetado, para provas e impressão de produção usando litografia ou offset.

Você pode obter mais informações acessando o próprio site da ISO (em inglês) nesse link.

Minha dica é: solicite ao seu fornecedor de tintas, uma escala que atenda à esses padrões. De nada adianta você almejar resultados precisos sem utilizar tintas precisas. Digo isso por experiência própria! E a diferença entre tintas com essa certificação e tintas sem essa certificação não chega a R$ 5 por kg.  É um valor extremamente baixo, visto os resultados. A satisfação do cliente e a valorização da sua marca é algo que não possui preço.

 

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2 – Padronize a configuração dos seus computadores.

Computador A trabalhando com o mesmo perfil do computador B, tanto o monitor quanto os softwares, sempre alinhados com o perfil da impressora. Se você utiliza o pacote Adobe, melhor ainda! A Adobe possui o Bridge, que conecta todos os softwares com um padrão de cor. Para habilitar isso, é só ir em Edit>Color Setting (ou Ctrl+Shift+K) e selecionar o perfil desejado. Aqui eu sempre uso o FOGRA 39 (Europe Prepress) e os resultados são bem legais.

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3 – Configure o seu Workflow digital para simular sempre o perfil ISOCoated V2.

O ISOCoated V2 é um perfil com base no FOGRA 39, que por si só já é uma atualização do FOGRA 28. É um perfil geral, mas que atende e se comporta muito bem com os papeis e tintas distribuídas aqui no Brasil. Procure utilizá-lo caso não disponha de nenhum aparelho para medição, pois as conversões são bem precisas, e a porcentagem de tinta é muito bem distribuída.

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4 – Faça um guia de fechamento de arquivos para seus clientes.

Tire como exemplo as gráficas maiores. É muito mais fácil instruir o seu cliente do que investir tempo na edição/adequação das coisas. Além disso, você ganha confiança por entregar um conteúdo valioso, ou até um lead (hehe). Utilize como referência (apenas referência!!) o manual da Printi, ou da Coan, que são bem completos e intuitivos.

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5 – Controle as densidades de impressão.

Mais tinta aqui, menos tinta ali. Um bom controle favorece todo o gerenciamento, e você pode até economizar na tinta, sabendo controlar bem esses parâmetros. A tabela abaixo serve apenas como uma referência.

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6 – Controle o ganho de ponto.

É amigo, e você achou que gerenciamento era só converter pra CMYK, né? hehe, a gente aprende. Mantenha tudo sob controle. O ganho de ponto é a variação da forma dos pontos nos elementos impressos, um efeito causado pelo uso de retículas.  É definido como o aumento ou deformação no ponto de retícula, ocorrido na impressão em relação ao fotolito/matriz, e possui grande influência no quesito cor e aparência.

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7 – Fuja dos softwares piratas!

Parece que não, mas o seu coréu crackeado pode ser o grande vilão da história. Softwares piratas carecem de atualizações, muitas vezes não integram dispositivos e aí, você não consegue uma comunicação clara entre eles. O 100% de ciano ali sai no pdf com misteriosos 9% de Amarelo lá. E de onde veio isso? Adivinha? Use sempre softwares originais.
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8 – Tenha um ambiente bem iluminado.

Talvez o mais importante! A cor nada mais é do que uma impressão que temos nos olhos, quando a luz é refletida ou absorvida pelos corpos. Num gerenciamento de cores avançado, por exemplo, você deve utilizar uma camiseta neutra, em um ambiente padrão, numa cabine de luz e com iluminação ambiente D50 a 5600k. Cor é luz, e nada mais. Experimente testar uma cor na luz do seu quarto, e depois, numa luz diferente, ou num quarto com paredes de cor diferente, e aí você notará a diferença. Uma boa iluminação, caso seu ambiente seja pouco iluminado, causa uma diferença absurda.

Repare a diferença entre a luz ambiente e a cabine de cores ao fundo.
Repare a diferença entre a luz ambiente e a cabine de cores ao fundo.

 

9 – Utilize sempre blanquetas compressíveis.

A blanqueta, como você deve saber, é uma película emborrachada que reveste os cilindros impressores de uma offset. Quanto maior a possibilidade de compressão da blanqueta, melhor o resultado final! Digo isso porque com uma compressão maior, ela pode absorver melhor os impactos sem ser danificada (impactos como folhas duplas, por exemplo) e principalmente, se molda melhor na superfície de suportes mais ásperos ou com espessuras irregulares, melhorando então a qualidade da impressão.

Acima a matriz, abaixo, a blanqueta.
Acima a matriz, abaixo, a blanqueta.

 

10 – Leia o manual da impressora!

Parece óbvio, mas muita gente não faz. Lá constam informações valiosíssimas, como os limites de pressão, porcentagens, secagem, e o próprio funcionamento. O manual pode lhe ensinar coisas que nenhuma escola ou blog ensina, então, atente-se a isso! Sua solução pode estar por lá, e talvez seja mais simples do que você imagine.

É meio complicado confiar só na intuição quando se precisa operar um bichão desses.
É meio complicado confiar só na intuição quando se precisa operar um bichão desses.

 

 

Considerações Finais

Desabafando, o problema é que muita gente bate no peito pra dizer que é expert em gerenciamento, quando na verdade, só converte RGB pra CMYK. O gerenciamento vai muito além disso, e vai muito além do que já escrevi aqui no blog. Há muitas variáveis em jogo, e a própria ciência já provou que é impossível de possuirmos cores exatamente idênticas às referências. Variáveis mínimas, que talvez não influenciam no processo, mas existem e merecem ser lembradas. O nosso próprio cérebro possui muitas falhas (a ilusão de ótica é uma delas, por exemplo) enganando facilmente nossos olhos. Quanto mais automatizado for o seu sistema, mais preciso ele será. Quanto menor a intervenção humana, mais fiel será o processo.

Assim, finalizo o post e deixo aberto para comentários! Vamos aprender juntos? O que você pode me ensinar a cerca disso? Ficarei muito feliz em lhe responder! 😀

Grande abraço!

 

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Bacharel em Design Gráfico pela Faculdade SATC (Criciúma/SC), 21 anos de idade e atuo há quase uma década na indústria gráfica. PhD em desmontar coisas, formas e objetos. Acredito que o caminho da felicidade é feito de aipim frito e suco de laranja (ainda vou provar isso!)

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