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Anatomia Tipográfica, História da Tipografia – Parte #3

Otavio Schlickmann

É formado em Design Gráfico e tem 24 anos. Atualmente se mantém focado na construção de conteúdo inteligente para a web. Viciado em internet e extremamente curioso, adora entender como tudo e todos funcionam, mas também gosta de ler, assistir séries e ouvir música.

Saudações Moovers!

Finalmente ela voltou! Nossa seção sobre tipografias está de volta e a todo o vapor. Agora que você já conhece um pouco da história da tipografia e também as classificações tipográficas, chegamos a parte da anatomia tipográfica.

Vale lembrar que entender as unidades que compõem os tipos, são muito importantes para a escolha da tipografia mais adequada na hora de realizar um projeto.

Bom vamos direto ao que interessa, começando por entender o que é anatomia:

anatomia-tipográfica-tipos-mova-design-tipografia

A anatomia é o ramo da biologia em que se estuda a estrutura e organização dos seres vivos, tanto externa quanto internamente, e é ela que exemplifica os processos necessários para que o organismo viva em equilíbrio.

No nosso caso, não seremos tão radicais rsrs, mas funciona basicamente da mesma forma, isto é, nos ajudará a entender o que são ascendentes, descendentes, entre muitos outros termos utilizados para a classificação dos tipos.

anatomia-tipografica-classificacao-nomenclaturas

Nomenclaturas e Classificações

Antes de verificarmos separadamente cada um dos componentes tipográficos, separamos um arquivo (muito legal) sobre a fonte Palatino Linotype, que contém uma breve introdução de sua história, e vários dos elementos que vamos mostrar mais abaixo. Caso queira fazer o download do arquivo, a versão em PDF estará disponível aqui.

Temos também a versão editável, caso você queira ver e/ou fazer experimentos com a tipografia. Basta clicar aqui para baixar o CDR (Sim, eu uso corel :D)

Ascendentes e Descendentes

As ascendentes são partes das letras minúsculas que se prolongam acima da altura-x. Geralmente estão associadas as letras: b, d, f, h, k, l, t. Uma outra característica é que elas podem ser um pouco mais baixas que a linha de altura das letras maiúsculas, melhorando a legibilidade.

Inversamente às ascendentes, as descendentes são partes das letras minúsculas que se prolongam abaixo da linha de base. Geralmente estão associadas as letras: q, y, p, g, j.

ascendente-descendente

Haste ou fuste

É o principal traço vertical ou diagonal de um caractere, é o traço que define a estrutura básica da letra. Podemos associá-lo ao tronco do caractere.

haste

Serifa

São pequenos traços e/ou prolongamentos desenhados em ângulo reto ou oblíquo, no fim da haste ou cauda das letras.

serifa

Cauda ou Perna

É um prolongamento inferior do traço de alguns caracteres, um apêndice que fica abaixo da linha de base. Geralmente estão associados as letras: Q, R, g, j, J, K

cauda-ou-perna

Braço

É um traço horizontal ou oblíquo que se liga por uma das extremidades à haste vertical principal de um caractere maiúsculo ou minúsculo. Em casos como o da letra “T”, é conhecido também como travessão.

braco

Barra ou Trave

É uma linha horizontal que transpassa o traço vertical em algum ponto do caractere.

barra

Junção ou Ponto de Enlace

O ponto de enlace é a forma como uma haste, um filete ou uma linha, criam uma conexão com uma serifa ou um terminal. Estes por sua vez, podem ser angular ou curvilíneos.

juncao

Barriga ou Pança

É o nome dado a uma linha curva de uma letra minúscula ou maiúscula enquanto fechada, com as extremidades ligadas à haste vertical principal em dois locais. Geralmente estão associadas as letras: P, B, p, b, D, d.

barriga

Terminal

É o final de um traço que contém uma forma diferente de uma serifa. Ele também não segue a direção do traço original, onde está fixado. Pode ser curvado ou possuir inclinações.

terminal

Tipos de Terminal

tipos-terminal

Orelha

É um pequeno traço que se destaca do “olhal” da letra “g” quando em caixa baixa.

orelha

Olho, Oco ou Miolo

É um espaço vazio da letra. Geralmente estão associados as letras: O, g.

olho-oco-miolo

Elo ou Link

É a linha que junta os “olhais” da letra “g” de caixa baixa.

elo-link

Eixo

É uma linha imaginária onde é possível definir o grau de inclinação da letra.

eixo

Vértice

É o ponto de ligação das hastes de letras maiúsculas. Geralmente estão associadas as letras: A, M, N, W, V.

vértice

Capitulares

Capitulares são letras maiúsculas que iniciam capítulos. Geralmente são compostas por corpos maiores e alinhadas ao topo da primeira linha do texto.

capitular

Altura-x e Linha de Base

A Altura de “x” é a altura do corpo principal do texto. Na grande maioria dos casos essa altura corresponde à altura de um “x” em letras de caixa baixa.

Já a linha de base corresponde a linha onde se apoia o corpo do texto.

altura-X

Kerning

É o ajuste individual do espaço entre duas letras. O Kerning é utilizado para compensar o excesso ou a falta de espaço entre determinados caracteres e com isso, deixar a leitura mais agradável e facilitada.

Obs.: No Kerning eu altero separadamente o espaço entre cada letra da palavra.

kerning

Tracking

É o espaço entre as letras e outros glifos de uma fonte com valores pré-definidos. O Tracking é utilizado para compensar os espaços vazios em uma linha de texto, onde o corpo pode ser encolhido ou ampliado para ajustar-se.

Obs.: Diferente do Kerning, o Tracking meche com todo o corpo da palavra em questão, não alterando individualmente os espaços, mas sim de forma coletiva, ou seja, os espaços pré-definidos pelas letras, serão reduzidos ou ampliados proporcionalmente.

tracking

Altura de versal

É a distância entre a linha de base, e o topo de uma letra maiúscula.

altura-versal

Entrelinha

É o espaço que separa duas linhas de texto. Como herança dos tipos móveis, uma linha de texto em corpo 10 era geralmente gravada em moldes de corpo 12, nesse caso a entrelinha seria de 2 pontos.

entrelinhas

Para finalizar

Bom, chegamos ao final de mais um post, mas claro que ainda estamos apenas começando o assunto sobre tipografias, até porque o conteúdo é extenso, então não se preocupe que material não falta!

O importante é que, a partir de agora você já conhece um pouco mais sobre os tipos, e essa é realmente a nossa intenção com essas postagens, levar um pouco do conhecimento acadêmico ao maior número de pessoas possível.

Portanto, se você gostou do post, se ele foi útil para você e gostaria de ajudar outras pessoas, não deixe de compartilhar, curtir, comentar aí embaixo, salvar no pc e mostrar pra mãe!

Enfim, esperamos ter ajudado de alguma forma e ficamos abertos à discussões inteligentes sobre design.

Um grande abraço, tudo de bom e até a próxima!

 

Fonte: LUPTON, Ellen; STOLARSKI, André. Pensar com tipos: guia para designers, escritores, editores e estudantes. São Paulo: CosacNaify, 2009. Rafael Hoffman, Designers Brasileiros

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