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[Dúvida Cruel] CMYK x RGB x CMYKOG x PANTONE

Mario Piva

Bacharel em Design Gráfico pela Faculdade SATC (Criciúma/SC), 21 anos de idade e atuo há quase uma década na indústria gráfica. PhD em desmontar coisas, formas e objetos. Acredito que o caminho da felicidade é feito de aipim frito e suco de laranja (ainda vou provar isso!)

Quando usar? Qual usar? Onde posso chegar? Este guia lhe trará uma solução clara das vantagens e limitações de cada um destes processos, onde eles estão inseridos e como podemos utilizá-los corretamente nos nossos projetos, dependendo claro, de suas aplicações.

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Olá pessoal! Nesse meu segundo post, trago um pouco do conhecimento adquirido em cores e processos ao longo desses meus 10 anos de indústria gráfica. Nessa caminhada, me deparei com arquivos RGB para impressão, texto em 6pt com 400% de tinta, canais spot e muitas outras dessas “gírias” que soam como um bicho de sete cabeças pra um bocado de gente. Vamos compreender e facilitar tudo isso?

Afinal, o que é o CMYK? Quando devo usá-lo?

O que chamamos de CMYK, nada mais é do a junção de quatro cores primárias (pigmento), que conforme suas porcentagens e misturas formarão a cor desejada. As quatro cores são: Cyan (C), Yellow (Y), Magenta (M) e Black (K). Ou seja, uma quadricromia.

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Nesse momento você deve estar se perguntando por quê afinal, que o Preto (Black) não é representado pela letra B, de fato. Se você pensou que é devido a última letra da palavra “Black” você errrrrouu! O K vêm do inglês Key, que significa chave. Se misturarmos as cores primárias em força total (100%) teremos as cores secundárias, que serão vermelho, verde ou azul. Se misturarmos as três, teoricamente, teremos o preto. Mas esse preto não é um preto “verdadeiro”, digamos. Aí que entra a chave!

Em uma imagem por exemplo, quando convertida pra CMYK, o preto é responsável pelos detalhes como sombras e realces. Por isso é chamado de “chave”. Veja no exemplo abaixo:

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O sistema CMYK é chamado de sistema substrativo. Ele leva esse nome porque a tinta, quando aplicada, reduz a luz que seria refletida pelo fundo (um papel branco, por exemplo). Por isso o nome subtrativo, porque as tintas “subtraem” a luz desse papel branco.

O CMYK é o modelo de impressão mais utilizado por gráficas e impressoras no mundo. Sejam elas offset, flexográficas, digitais, de escritório e mais uma porrada de modelos. Poderia fazer um post falando somente sobre isso (quem sabe mais na frente, né?) mas vamos focar aqui. Toda e qualquer coisa que você observa na natureza, no cotidiano, enfim, que seja não-virtual, é representado por cor-pigmento. O CMYK é uma grande fatia dessas cores, mas mesmo assim possui muitas limitações quando à tonalidades e aplicações.

Na prática isso quer dizer que determinadas cores visíveis pelo olho humano ou reproduzíveis em outros sistemas, como o RGB, por exemplo, não podem ser obtidas pelo processo de quatro cores. Isso não chega a ser um problema na maioria das aplicações práticas da quadricromia, mas é um obstáculo quando se deseja a reprodução de cores específicas, como tons de céu, de água ou a cor de determinada marca corporativa, por exemplo.

Abaixo temos um pequeno comparativo do espectro de cores CMYK vs RGB. A diferença no gamut dessas cores prejudica muito os tons de azul e os tons de verde, onde paisagens, céus e lagos por exemplo, perdem um pouco de sua saturação. Saca só a diferença:

mova-design-post-cmyk-rgbNa prática, a conversão de uma imagem em RGB, com predominância desses tons, fica assim:

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Pensando em solucionar esse problema com tonalidades (ou boa parte dele), a PANTONE criou em 2008 a PANTONE HEXACHROME, que é a adição de laranja (O – de orange) e verde (G – de green) junto ao CMYK. Criando então uma hexacromia, ou CMYKOG! Os canais spot, como falei no início do post, são as áreas em que serão inseridas essas cores “especiais”.

Entendendo o CMYKOG

Esta invenção da PANTONE veio para sanar a outra fatia de cores que o CMYK não consegue reproduzir, se comparado ao RGB. A vantagem da hexacromia e da adição dessas duas cores específicas, é que elas juntas conseguem representar uma gama de cores muito maior do que o CMYK.

Mas há um problema! Não é qualquer verde ou qualquer laranja que se adiciona na impressão. É necessário que as duas cores sejam licenciadas pela PANTONE, caso contrário, não podemos chegar em tantos resultados assim. Isso acaba encarecendo todo o processo, deixando o CMYKOG apenas como opção para projetos específicos. Afinal, você sabe onde podemos encontrar um exemplo dessa impressão em seis cores no nosso cotidiano? Não? Saca só:

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Tcharaam! Eis o objeto. As embalagens do chiclete Trident são impressas em hexacromia, pois a marca exige uma alta fidelidade de cores e possui tonalidades que o CMYK não pode oferecer.

PANTONE: E agora?

Sem crise! Ao contrário do que muitos pensam, o PANTONE não é um processo de impressão ou composição de cores, mas sim, uma referência para elas.

A PANTONE foi criada em 1962 por Lawrence Herbert. No início, era uma pequena empresa que fabricava cartões de cores para cosméticos, até Herbert decidir iniciar com os Guias Pantone, que são os famosos cartões de cores, ou livros de cores, que temos hoje em dia.

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No nosso cotidiano, a PANTONE evita que o mundo das cores vire o mundo da zoeira, literalmente. Ela serve como referência para cores, ou como o próprio nome induz, um guia. Isso nos mais variados ramos! Não só na indústria gráfica, mas na automobilística, naval, espacial e onde quer que se precise de cores exatas ou específicas.

Na prática, vamos supor que você mora no Amazonas mas resolveu imprimir com uma gráfica aqui de Santa Catarina. Por mais que seu monitor esteja calibrado, que a máquina dessa gráfica seja a melhor e mais moderna máquina do mercado, o espectofotômetro seja o melhor do mundo, vocês não são o Lion Man! E por questões de temperatura, tinta, umidade e outra série de fatores que nossa mãe natureza nos proporciona, você pode receber em casa um trabalho com resultados não desejados, como uma cor mais saturada, um contraste diferente, enfim, alguma “zoeira”.

E pra que não ocorra essa dor de cabeça e esse baita desconforto, o que deveria ser feito?

Simples! Você escolhe uma cor de referência na Pantone, por exemplo, o PANTONE 100 (esse amarelo aí de cima) e diz pro cidadão que você quer aquele projeto, com aquela cor no padrão PANTONE 100! E finish him.

RGB: Funções e aplicações.

Vimos que tudo o que está presente na natureza é composto por cores-pigmento, que o CMYK é uma fatia dessas cores, que o CMYKOG pode dar uma mão e que a PANTONE pode te evitar muitas dores de cabeça! Mas não podemos deixar passar em branco o tal do RGB. Você sabe o que é e como funciona?

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O sistema RGB trabalha com três cores primárias (luz): Red (R), Green (G) e Blue (B). Todos os dispositivos digitais coloridos são representados por este sistema. Todos! Seu monitor pode estar calibrado com um perfil de cores CMYK, mas o que você vê é o RGB tentando imitar o CMYK. Isso porque ao contrário do CMYK, o RGB é composto de cores-luz, assim denominado sistema aditivo.

Se o sistema substrativo (CMYK) subtrai a luz do fundo, o RGB por ser aditivo (e do contra), adiciona! Sendo assim, a mistura de todos os canais (red + green + blue) em 100% resulta no branco absoluto, o que é o oposto do preto, lá do CMYK.

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Monitores, displays de smartphones, geladeiras, câmeras, televisores, projetores e todos os equipamentos digitais que reproduzam algum tipo de cor, estarão reproduzindo RGB. Então quando elaborar um projeto para reproduzir em quaisquer um desses dispositivos, tenha em mente que você terá que projetá-los levando em consideração o sistema de cores RGB. Que por sua vez, possui uma gama de cores muito maior do que o CMYK e o CMYKOG.

Considerações Finais

O importante nesse contexto todo das cores é ter no mínimo uma noção básica de como ele funciona. Assim, você sabe não só como vai aplicar, mas porquê vai aplicar e o resultado que se pode obter, ou até onde você pode chegar. Todos os processos possuem limitações, e mundo está cheio de “profissionais” que não vão te alertar sobre isso. Eu espero que esse post tenha esclarecido um pouco de cada um desses mundos na sua cabeça.

Sinta-se livre pra comentar, questionar, compartilhar alguma experiência ou até pedir ajuda. Nós, do MOVA, nos sentiremos muito bem em poder ajudá-lo!

Grande abraço e até a próxima!

Referências: Pantone, Coralis, e Villas-Boas (2000) que você pode adquirir aqui

 

 

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Bacharel em Design Gráfico pela Faculdade SATC (Criciúma/SC), 21 anos de idade e atuo há quase uma década na indústria gráfica. PhD em desmontar coisas, formas e objetos. Acredito que o caminho da felicidade é feito de aipim frito e suco de laranja (ainda vou provar isso!)

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