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Qual o seu tipo? História da tipografia – Parte #1

Otavio Schlickmann

É formado em Design Gráfico e tem 24 anos. Atualmente se mantém focado na construção de conteúdo inteligente para a web. Viciado em internet e extremamente curioso, adora entender como tudo e todos funcionam, mas também gosta de ler, assistir séries e ouvir música.

Qual é o seu tipo?

Você prefere as altas? Baixas? As magrinhas? As gordinhas? e que tal as com pés largos? Já sei! Você prefere as com pernas grandes? Não, esse não é um post sobre o que você deve estar pensando, mas sim sobre tipos, tipografias, fontes ou letras, como preferir chamar.

A verdade é que elas estão presentes por todos os lados, de várias formas e em diferentes composições. Podemos dizer inclusive, que servem também como decoração!

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Hoje, nós do MOVA Design estamos começando um série sobre tipografias, ta bom vai, na real é um diálogo, pois, para continuarmos precisaremos do seu feedback. Tentaremos fazer um apanhado geral sobre esse “estudo” abordando temas como, história dos tipos, aplicações, formatos, combinações, estruturas, enfim… Prepare-se para enxergar letras onde não existem!

Como tudo começou?

Não é novidade para ninguém que desde a Pré-história o homem se comunica com desenhos e formas entalhadas nas paredes das cavernas. Essas pinturas rupestres foram as primeiras tentativas de transmitir ideias “escritas”. No entanto, não podemos classifica-las como formas de escrita, pois eram desorganizadas, não haviam padrões para as representações gráficas.

Quem foram os primeiros?

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A primeira expressão da escrita aconteceu na Mesopotâmia, por volta de 4.000 A.C. Os sumérios criaram o que conhecemos como escrita cuneiforme, pois “cunhavam” em placas de argila.

Após os sumérios, (segundo o período histórico praticamente na mesma época) os egípcios começaram a desenvolver as suas formas de escritas. Formas? Sim, haviam duas, a demótica (mais simplificada) e a hieroglífica (mais completa, formada por desenhos e símbolos).

E onde entra a escrita “de verdade”?

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Somente na Roma Antiga é que encontramos tipografias mais próximas as que conhecemos. No entanto, além de ser derivado do Grego e dos Fenícios o alfabeto romano era composto apenas por letras maiúsculas.

O tipo de escrita com serifa, (aquela com perninha ou pés) também surgiu em Roma, devido a necessidade de poder visualizar a escrita nas altas colunas de Trajano, (algo em torno de 35 metros de altura) por volta de 144 D.C

Ainda em Roma a forma de escrita foi evoluindo, com o auxílio de hastes de bambu e penas de aves, pergaminhos começaram a serem escritos, dando origem a um novo estilo de escrita, denominado Uncial. Esse estilo (decorativo) foi muito utilizado na escritura de Bíblias e iluminuras, e durou até o século VIII.

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Roma foi o berço de toda a “bagunça” envolvendo a história tipográfica, conforme acontecia a queda do império romano, culturas diferentes se apoderavam das regiões aos redores de Roma, e com isso a caligrafia da época era moldada pela mistura com a nova cultura.
Após reunificação do império romano, Carlos Magno decreta a criação de uma nova tipografia que seria utilizada por todo o império, denominada de carolíngia (marcadas por não ter espaço entre as palavras).

A vez dos italianos

A forma de escrita aos poucos foi sendo moldada, tantas alterações e ornamentos decorativos começaram a dificultar a leitura, tornando-a complexa demais. No século XV os italianos começaram a moldar essas tipografias a fim de deixá-las mais simples e em 1500, Francesco Griffo revoluciona o estilo tipográfico, criando a primeira escrita em formato itálico (nome pelo qual conhecemos hoje). O estilo servia para economizar espaço, e para ser utilizado como fonte padrão de texto, e não apenas para detalhes como atualmente.

Os tipos Móveis

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Antes da tecnologia impressa, os livros e outras publicações eram feitas por escribas. Obviamente não era um processo rápido, imagine você escrevendo 500 páginas a mão, não seria muito divertido certo?

E é aqui, onde finalmente chegamos nele, o Alemão Johann Gutenberg, considerado o pai da tipografia pela criação do primeiro sistema de impressão (em série). O modelo de Gutenberg foi feito primeiramente com entalhes em madeira, mais tarde, no entanto, devido a durabilidade do material, passou a utilizar metal (chumbo) para a produção.

Gutenberg não sabia brincar e ficou ainda mais conhecido após fazer a primeira impressão em massa, e o livro de sua escolha, claro, foi justamente a Bíblia, sim, a Bíblia de Gutenberg em 1454.

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Junto com seus auxiliares, Gutenberg fundiu 15.000 caracteres para compor a Bíblia. Foram 1.282 páginas montadas uma a uma, com cerca de 400 a 500 tipos por página. Sabendo que, até o final do século XIX um compositor manual, podia diagramar 1000 caracteres por hora, façam as contas 😛 com uma pessoa, precisaríamos de quase um mês apenas para montar os tipos.

Obs.: Estimasse que 180 exemplares foram feitos, no entanto, atualmente existem apenas 48 delas.

Segundo Phinney, 2004, o processo de fabricação dos tipos de Gutenberg (de criar uma “forma”, colocar o metal derretido para criar o tipo, montar todos os tipos (letras) em uma matriz e utilizá-los em forma de carimbo) se espalhou rapidamente pela Europa. Veja como eram feitos os tipos móveis.  Clique aqui

Eu não estava lá então não sei, mas Alguns autores, como Ribeiro (1998), enfatizam que Gutenberg não foi o primeiro a fazer um tipo móvel. E alega que em 1041 os chineses (em especial Pi Sheng) orientais já conheciam e utilizavam a técnica a pelo menos quatro séculos antes dos europeus.

O vídeo abaixo, mostra uma versão resumida de tudo o que falamos por aqui, e acrescenta algumas curiosidades sobre a história da tipografia:

Enfim

No decorrer de todos esses anos, muitas transformações foram acontecendo, novos tipógrafos (como Claude Garamond, John Baskerville, Giambatista Bodoni) e novas tipografias foram aparecendo, com formatos, tamanhos, inclinações, contrastes, e outras particularidades até chegarmos no que temos hoje, um computador, com capacidade para armazenar inúmeros tipos.

Vale lembrar que uma boa parte dessa trajetória dos tipos não foi citada. O intuito do artigo é facilitar o entendimento sobre como a escrita evoluiu até hoje, destacando alguns pontos mais relevantes da história.

Continue acompanhando o blog para ver as próximas matérias sobre tipografias. Ainda temos muitas coisas pra compartilhar 😛

Para finalizar, lembra que eu falei que era um diálogo? Pois é, se você gostou do artigo, deixe um recado, compartilha nas redes sociais, entre em contato por e-mail ou nos mande um sinal de fumaça!
Até a próxima e um grande abraço!

FONTE(S): Phinney, Thomas W. A Brief History of Type, Rafael Hoffman, Milton Ribeiro, Planejamento Visual Gráfico. 7.ed.

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É formado em Design Gráfico e tem 24 anos. Atualmente se mantém focado na construção de conteúdo inteligente para a web. Viciado em internet e extremamente curioso, adora entender como tudo e todos funcionam, mas também gosta de ler, assistir séries e ouvir música.

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