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Quem é o usuário do seu design?

Eduardo Lourenço

21 anos, co-fundador do MOVA design, técnico em comunicação visual, formado em design gráfico, metódico, racional e curioso. Um pseudo-músico, pseudo-nerd, e atualmente amante do Marketing Digital. Mova-se!

Usuário, consumidor, cliente ou leitor. Tantos nomes que utilizamos para responder a questão fundamental em um projeto: “Para quem será feito?”.

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Bem, em um mundo onde os próprios autores dos projetos são capazes de fazer qualquer coisa, onde os desenvolvedores se tornaram os próprios empresários e com todo mundo se achando (ou melhor se sentindo) um designer gráfico, como o profissional de verdade poderá realmente exercer sua função?

Em casos assim, infelizmente o designer acaba sendo julgado como um ator de mudança para algo que os clientes já aspiravam. Um ator? Sim. Um diretor? Não. A tendência atual do pensamento de design tende a fazer com que quase todos acreditam que, com post-it e brainstorming, todos podem se tornar um designer. Não estou desmerecendo esses métodos, aliás eles são muito eficazes quando bem aplicados, contudo, infelizmente, estes métodos são muito populares devido à sua abordagem simples e transversal de design.

 

Qual é a sua abordagem do usuário?

Livro: Design Thinking - Tim-Brown usuário
Livro: Design Thinking – Tim-Brown

Para definir a abordagem vamos começar a discussão em um âmbito um pouco mais macro. O Um termo usado frequentemente entre empresas para impulsionar seus resultados é o chamado “Design thinking”. Este termo foi popularizado por Tim Brown, chefe da Ideo, empresa internacional de design e consultoria em inovação. A idéia básica passada por Tim Brown de seu método é bastante válida, pois visa integrar as necessidades das pessoas, tendo como base as oportunidades tecnológicas e econômicas atuais.

 

No entanto, o propósito do pensamento do design não é transformar algo em design ou alguém em designer. Seu propósito é achar soluções viáveis para os determinados problemas apresentados pela sociedade e se for possível ainda, utilizar o maior número de pessoas e suas experiências para que a solução seja a mais precisa possível.

Assim, Brown levanta a seguinte questão “para quem será feito o projeto?”, em outras palavras “quem é o usuário para o qual nós criamos?”. Na verdade, este usuário é alguém com quem nós devemos ter alguma empatia, sim empatia. Empatia é sim um componente essencial do design.

Vamos a um exemplo: por mais que você não goste de sertanejo, você terá que ter empatia com o público para quando for criar materiais para tal público. Não estou dizendo aqui que você deve ouvir sertanejo todos os dias no seu celular ou no seu carro, estou afirmando que quando você for criar algo com a abordagem no universo do sertanejo você terá que estudar sobre o assunto e desenvolver a empatia que você antes não tinha.

Luan santana
Luan Santana manda beijo para seus usuários!

Etimologicamente “empatia” provém da palavra em latim “pathos” que significa “sofrimento”. Já entenderam o recado? Designers, para fazer o seu trabalho de forma eficiente e eficaz, você terá que “sofrer com” o seu usuário. Seu usuário deve inspirar a sua abordagem de design quando você faz um cartaz, um objeto, uma interface ou qualquer outra coisa. Para citar Joel de Rosnay, você precisa de um “fluxo de empatia”, isto é, uma ligação que irá permitir-lhe colocar-se no lugar dos outros, entender suas reais emoções e sentimentos para no fim oferecer uma resposta singular e certeira através do seu design.

É fato que uma empresa não pode analisar exclusivamente seus usuários finais para desenvolver seus produtos e serviços, ela deve levar em conta outros fatores para conseguir se manter e crescer no mercado. Porém, ela não pode de maneira alguma excluir seu usuário do seu modelo de negócio ou de suas questões técnicas e sociais.

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Você está confundindo o John! Converse melhor com seu usuário!

Existem empresas que apenas “criam” sem observar como o produto se relaciona com seus usuários e as suas perspectivas a curto e longo prazo, acabam se resumindo a somente seu produto, sem ter um horizonte de expansão. Com isso a ligação com o usuário acaba morrendo, e resulta em apenas uma caminhada entre as gôndolas, sem nenhum efeito de compra.Porém, se todas as apostas de uma empresa forem resumidas em um painel metafórico, com o usuário sendo definido como um elemento zero, ou seja prioritário, as questões econômicas e sentimentais elevarão constantemente.

 

Felizmente, algumas empresas e alguns designers são capazes de escapar dessa lógica de fatores interdependentes. Eles tentam e muitas vezes conseguem ter um modelo econômico, humano, técnico e inovador em perfeita harmonia e sem afetar a ética do mercado. Este é o caso de empresas que são ou foram líderes em seus respectivos campos, como Dyson, Nokia, Steelcase, Muji, Braun, Nintendo, a NASA ou mesmo a Porsche, que reformulou a mecânica de seus carros para que o relógio do painel mantenha a hora correta mesmo depois de qualquer reconexão da bateria. A atenção aos detalhes do produto é boa, mas com foco nas necessidades do usuário em essencial.

 

O seu projeto é para todos.

É óbvio que o propósito do projeto é para servir a todos: cidadãos e comunidades, inclusive, é neste sentido valioso que o século 21 parece caminhar. Veja bem, se você projetar uma prótese de mão em impressão 3D para seu irmão, ou uma campanha pública para sua mãe doente, um método móvel que ajuda refugiados a se comunicar, ou projetar um manual para os países que não têm água limpa em como poupar água, por mais que nós, designers, projetamos o sistema para o usuário que irá utilizá-lo, estamos contribuindo para o desenvolvimento de respostas para os problemas da comunidade ao todo, não somente para o usuário em questão.

Recentemente, até mesmo Philippe Stark, um representante francês de design no exterior, efetua um projeto nessa linha. Seu projeto denominado “caixa de Ideias”, consiste em manter uma biblioteca humanitária, ele mesmo humildemente afirmou que o projeto “merece existir, porque sua existência é principalmente para servir as pessoas com necessidades urgentes, pessoas que perderam tudo.”

 

B2B? Não, agora é H2H!

Se você não sabe o que é B2B ou B2C assista ao vídeo abaixo, caso já entenda sobre os dois termos, pule o vídeo.

Sim, eu também me incomodei com o cara não olhando diretamente para a câmera, mas era o único vídeo que explicava corretamente e resumidamente os dois termos. hahaha

Agora que você já sabe o que B2B e B2C significam, esqueça-os. O projeto desenvolvido para mercado deve ser estipulado a longo prazo, ai surge o termo H2H ou “Humano a Humano”, um termo teorizado por Bryan Kramer, autor do livro de mesmo nome. A ideia do H2H não é apenas técnica ou hierárquica, mas baseia-se no enriquecimento das relações digitais e tangíveis que visa transformar a sociedade de alto a baixo.

Vou explicar. Um designer pode criar uma campanha de cartazes para a proteção animal, em seguida, colocá-lo sob uma licença aberta, compartilhá-lo através da Internet e vê-lo reutilizado por outro designer do outro lado do mundo, que vai transformá-lo em uma outra criação. Uma criação que pode ser reutilizado diversas vezes, sendo modificada para a necessidade do público que o usuário está estudando.

Uma abordagem H2H aplicada ao design seria um ciclo virtuoso e criativo centrado em seres humanos. Isso tudo somando o fato de acesso quase ilimitado, pois qualquer pessoa ou máquina (algoritmo do google), poderia coletar e colaborar com o próprio ou em vários outros projetos utilizando o seu. É uma filosofia renovada na era da sociedade digital.

 

E no fim, projetando para quem?

Agora, voltamos a pergunta chave deste artigo “Para quem meu projeto será feito?”. É evidente que todos nós designers ou pertencentes ao mundo dos designers de alguma forma temos que adaptar nossos modos de criação, comunicação e consumo através de uma perspectiva designer.

Tendo em mente que o antigo modelo de “criar por criar” está obsoleto e o modelo de “criar para humanos” está gradualmente substituindo o anterior, você vai encontrar abaixo de cinco valores para um projeto baseado em seres humano.

Lembre-se, quando você cria algo, se é a interface mais simples ou um projeto muito maior e ambicioso, você deve manter isso em mente:

O altruísmo é um gerador de ideias. Se nossas ações, como designers, não têm nenhuma vantagem aparente para nós, mas são benéficas para as pessoas que os recebem, elas não são inúteis, suas ideias serão impactantes de alguma forma;

Partilha de know-how e difusão do conhecimento. Inspirado pela tendência atual na pesquisa em design, todo o conhecimento criado durante o processo deve ser compartilhado, isso para aumentar a experiência geral. Além de ser uma difusão de conhecimento pela causa gerada, é um elemento fundamental obrigatório;

Não há uma única verdade e quanto mais diversificado o design é, mais profundo é o projeto. Lembre-se, nunca há somente uma solução ou resposta. Um bom caminho é levar o usuário a participar do objeto de estudo ou inseri-lo no projeto, dessa forma, ele vai se sentir tocado e partes do universo que está sendo criado.

Um projeto de base humana utiliza principalmente a empatia e a experiência dos envolvidos. Muito antes da produção de bancos anti-sem-teto, em 1605 os primeiros bancos públicos parisienses foram projetados com duas funções básicas: incentivar reuniões ao ar livre ou simplesmente uma troca de conhecimentos informal;

Finalmente, a ética é o princípio global. Um projeto sem ética não faz sentido, considerando que por sua definição, a palavra “design” expressa uma mistura harmoniosa de “concepção” e “intenção”, que resulta em ações humano eficientes a ética reflete semelhantemente os mesmos conceitos, porém junto, está a consideração do utilizador e das pessoas que inspiram o designer.

Se você é um tipógrafo, um designer gráfico, um ilustrador, um web designer, um designer de produto, um desenvolvedor ou designer geral; se você é um empregado ou um trabalhador independente, as oportunidades para mudar o ambiente e mudar o mundo são acessíveis. Você tem a capacidade de criar, de agir, de projetar e descobrir porque os designers merecem existir e, finalmente, responder a esta pergunta: Qual o benefício que meu projeto traz para os seres humanos?

É isso galera! Espero que este artigo tenha somado informações para você conseguir identificar e entender qual é o usuário do seu atual projeto.

Lembre-se sempre: Independente de como eu faço as coisas, meu usuário tem que entender o que estou comunicando e após ele entender, a ação que isso resultar tem que estar de acordo com os valores éticos e morais, a ação tem que ajudar a sociedade de alguma forma, e por fim esta ação, não pode resultar em mais problemas, se não, o clico será infinito.

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21 anos, co-fundador do MOVA design, técnico em comunicação visual, formado em design gráfico, metódico, racional e curioso. Um pseudo-músico, pseudo-nerd, e atualmente amante do Marketing Digital. Mova-se!

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